Usos diversos prompts, aplicações, decisão, análise e materiais.
Nova pergunta como usar com crítica, segurança, ética e método?
O alerta parece convincente
Proposta pedagógica: Caso Marina
Marina está internada em uma unidade clínica. Um modelo sinaliza risco de deterioração. Parte dos registros de enfermagem ainda não foi incorporada, a equipe não conhece a origem do alerta e ninguém sabe dizer quando o modelo foi revisado pela última vez.
O que precisa ser verdadeiro antes de alguém agir?
Enquete: onde está a primeira pergunta?
Proposta pedagógica: escolha um ponto de partida.
Qual algoritmo foi usado?
Qual decisão será apoiada?
Qual métrica ficou melhor?
Quantos dados existem?
Quem responde ao alerta?
O que devemos conseguir fazer hoje?
Proposta pedagógica: objetivos de aprendizagem
distinguir usos de IA por finalidade e consequência do erro;
testar uma saída com critérios de exatidão, rastreabilidade, privacidade, viés e utilidade;
decidir aceitar, revisar ou rejeitar uma saída;
elaborar protocolo com dados permitidos, verificação, registro, divulgação e proibição.
Percurso em 240 minutos
Movimento
Tempo
Estratégia
Problema comum
20 min
inventário de usos e consequências
Núcleo comum
100 min
privacidade, método, verificação e protocolo
Intervalo
10 min
pausa
Clínica de IA
70 min
teste controlado e protocolo
Revisão adversarial
30 min
aceitar, revisar ou rejeitar
Fechamento
10 min
limite e decisão pendente
A tese do encontro
Uma saída plausível não é uma saída verificada.
O rigor depende da finalidade, dos dados e da consequência do erro.
Uso × consequência × verificação
Uso
Se houver erro…
Verificação mínima proposta
ideação
uma possibilidade é perdida
comparar alternativas
síntese ou redação
uma afirmação pode ser distorcida
conferir texto-fonte e citações
análise
um padrão pode ser fabricado
reproduzir com método independente
material educacional
conteúdo incorreto pode ser disseminado
revisão especializada
apoio à decisão
pessoas podem ser afetadas
evidência, supervisão e possibilidade de contestar
Se a previsão estiver correta, o que alguém poderá fazer de modo diferente?
Da decisão à tarefa analítica
Diagrama autoral, CC BY 4.0.
Supervisionado e não supervisionado
Aprendizado
O conjunto contém
Pergunta típica
Tarefas citadas na fonte
supervisionado
entradas e saídas
prever uma saída
classificação, regressão
não supervisionado
dados sem soluções
explorar estrutura
agrupamento, redução dimensional
Tarefa, representação e profundidade
Classificar atribui classes; regredir estima valores; agrupar explora sem solução fornecida. Em aprendizado profundo, representações podem ser aprendidas por múltiplas camadas.
Complexidade do modelo resolve falta de sentido clínico?
Microdecisão: reescreva o problema
Proposta pedagógica: em duplas, transforme “usar IA para reduzir quedas” em:
decisão concreta;
população e momento;
entrada disponível antes da decisão;
ação possível;
erro menos tolerável — com justificativa.
Learning Health System: aprender do cuidado
Um sistema de saúde que aprende conecta informações do tratamento, análise, pesquisa, recomendações e apoio à decisão em um ciclo contínuo.
O ciclo é mais amplo que um modelo.
Aprender exige fechar o ciclo
Diagrama autoral, CC BY 4.0.
Quem aprende — e quem é aprendido?
O LHS local inclui pacientes, profissionais, pagadores, pesquisadores, analistas, desenvolvedores, organizações, formuladores de padrões e governos.
Quem participa da pergunta, da interpretação e da decisão de parar?
Feedback não é aprendizagem automática
Observar o resultado e o contexto.
Interpretar o que mudou e por quê.
Revisar prática, dado ou modelo.
Big Data: tamanho não é validade
Volume pode exigir armazenamento e processamento distribuídos. Ainda assim, quantidade não responde se os dados representam a população, o tempo e a decisão de interesse.
Os 5 Vs — como perguntas, não troféus
Dimensão
Pergunta crítica
volume
conseguimos governar e processar?
velocidade
a chegada combina com a decisão?
variedade
significados e formatos são conciliáveis?
veracidade
origem e integridade são conhecidas?
valor
o uso melhora uma decisão relevante?
O iceberg da qualidade
Diagrama autoral, CC BY 4.0.
Ausência também descreve o processo
Um valor pode faltar ao acaso, por regra do serviço ou porque um exame só é solicitado para determinado grupo. Tratar todas as ausências da mesma forma pode ocultar essa história.
No caso Marina, o registro ausente é falha técnica, tempo de trabalho ou seletividade clínica?
O rótulo é uma construção
Proposta pedagógica: interrogatório do desfecho
Quem definiu o evento?
Em que janela temporal?
Com qual registro ou proxy?
Quem ficou sem rótulo?
O rótulo existia antes da decisão?
Vazamento: quando a resposta entra pela entrada
Se uma variável só existe depois — ou por causa — do evento que queremos prever, o modelo pode parecer competente sem antecipar a decisão real.
Essa informação existia no momento do uso?
Representação: quem paga pelo desempenho médio?
Dados pouco diversos podem produzir desempenho pior em grupos sub-representados. O problema pode surgir na coleta, limpeza, escolha, avaliação e implementação.
Cartão do conjunto de dados
Diagrama autoral, CC BY 4.0. Proposta pedagógica, não instrumento validado.
Treino, validação e teste
Diagrama autoral, CC BY 4.0.
Generalizar é responder em dados não vistos
Avaliar em dados independentes ajuda a estimar erro de generalização. Ainda é preciso perguntar se o novo contexto é suficientemente semelhante ao contexto de desenvolvimento.
A métrica deve seguir a consequência
Escolher uma métrica é escolher quais erros ganham visibilidade. A prioridade depende do uso: evitar perder casos ou reduzir alertas indevidos pode levar a escolhas diferentes.
Falsos negativos e falsos positivos têm trabalho
Erro
Pergunta clínica
Pergunta operacional
falso negativo
qual oportunidade se perde?
quem não será chamado?
falso positivo
qual ação desnecessária pode ocorrer?
qual fila e qual carga são criadas?
Sensibilidade observa a parcela de positivos corretamente identificada.
Discriminar não é calibrar
Discriminação: separar quem terá e quem não terá o desfecho.
Calibração: alinhar probabilidades previstas às probabilidades observadas.
Para orientar decisão individual, qual delas pode ser dispensada?
Média global pode esconder dano desigual
Proposta pedagógica: sempre abrir o painel por
grupos clinicamente e socialmente relevantes;
local e período;
qualidade e ausência dos dados;
consequências e possibilidade de recurso.
Um painel, várias dimensões
Diagrama autoral, CC BY 4.0.
Automação pode estreitar a vigilância
Quando usuários passam a depender do sistema, carga de trabalho e confiança excessiva podem reduzir monitoramento crítico — embora o sistema não seja perfeito.
Supervisão humana precisa de condições
Diagrama autoral, CC BY 4.0.
Explicar para quem — e para quê?
Explicações úteis ao engenheiro podem não ser úteis ao profissional ou paciente. O propósito depende da tarefa, do destinatário e do ambiente; uma explicação imperfeita pode gerar falsa segurança.
O workflow é parte da intervenção
Ter desempenho forte é necessário, mas insuficiente para impacto clínico. É preciso decidir onde apresentar a previsão e avaliar integração, usabilidade e resultados.
Quem recebe o alerta de Marina — e o que acontece depois?
O ciclo de vida continua após implantar
Diagrama autoral, CC BY 4.0.
Deriva: o contexto muda
Mudanças de população, dados ou prática podem deteriorar discriminação e calibração. Monitorar desempenho ao longo do tempo é parte do uso responsável.
Governança: decidir também quem responde
Participação profissionais, pacientes e outros interessados.
Diagrama autoral, CC BY 4.0; escopos verificados nas publicações oficiais.
Protocolos e ensaios com IA
SPIRIT-AI acompanha protocolos de ensaios; CONSORT-AI, relatos de ensaios concluídos. Ambas estendem diretrizes centrais para intervenções com IA.
Proposta pedagógica: procure população, intervenção, interação humano–IA, tratamento de erros e análise planejada.
Modelagem, predição e uso clínico inicial
MI-CLAIM: transparência mínima da modelagem. TRIPOD+AI: relato de modelos de predição clínica. DECIDE-AI: avaliação clínica inicial de sistemas de apoio em ambiente real.
Leitura crítica em sete perguntas
Proposta pedagógica:
Qual decisão e população?
Como dados e rótulos foram produzidos?
A separação evita vazamento?
Quais erros, calibração e subgrupos?
Como entra no workflow?
Quem responde, contesta e monitora?
O que faria revisar ou retirar?
Clínica de IA aplicada ao projeto
70 min de produção
Proposta pedagógica: missão
Testar uma saída sem dados sensíveis, decidir aceitar · revisar · rejeitar e escrever um protocolo de uso defensável.
Escolha um uso real — ou um caso seguro
Proposta pedagógica: usos
ideação de pergunta ou produto;
síntese de texto fornecido;
rascunho de material educacional;
explicação de trecho de código ou fórmula;
organização de categorias para análise;
apoio à decisão como cenário fictício de maior consequência.
Papéis e movimentos do grupo
Papel
Pergunta
Movimento
autor do uso
para que serve?
declarar finalidade
verificador
o que pode estar errado?
conferir saída e fontes
privacidade
que dado não pode entrar?
auditar entrada e registro
método
o processo pode ser reproduzido?
revisar protocolo
equidade/usuário
quem pode ser prejudicado?
testar linguagem e consequência
Registro obrigatório do teste
Proposta pedagógica
finalidade e consequência do erro;
ferramenta e configuração disponível;
entrada sem dados proibidos;
saída preservada;
fontes ou método de conferência;
omissão, erro, viés ou utilidade observada;
decisão e justificativa.
Decisão sobre a saída
Proposta pedagógica: frase de saída
“Para a finalidade , decidimos [aceitar / revisar / rejeitar] a saída porque . Antes de reutilizar, precisamos verificar ; este uso será proibido quando .”
finalidade → entrada → saída → verificação → decisão → regra de uso
Um registro. Uma decisão. Uma verificação ainda necessária.
Revisão adversarial sem antagonismo
Proposta pedagógica: o grupo debatedor pergunta
Que afirmação ainda não foi conferida?
Que dado não deveria ter sido usado?
Que fonte ou etapa não pode ser reproduzida?
Que omissão mudaria a decisão?
Quem precisa revisar antes do uso?
Em que situação este uso deve ser proibido?
Volta ao alerta de Marina
Proposta pedagógica: antes de usar o alerta, a equipe exige origem e tempo dos dados, finalidade, validação independente, análise por grupos, posição no fluxo, canal de contestação, responsável pelo monitoramento e critério de suspensão.
O que ainda não podemos afirmar?
Da saída ao uso responsável
Diagrama autoral, CC BY 4.0.
Três mensagens para levar
Finalidade declare para que a IA será usada.
Verificação plausível não significa conferido.
Registro torne entrada, saída e decisão auditáveis.
Minuto de saída e leituras
Proposta pedagógica: complete.
“Para usar IA no meu projeto, permitirei ; verificarei ; proibirei ___.”
Collins, Gary S., Karel G. M. Moons, Paula Dhiman, et al. 2024. “TRIPOD+AI Statement: Updated Guidance for Reporting Clinical Prediction Models That Use Regression or Machine Learning Methods”. BMJ 385: e078378. https://doi.org/10.1136/bmj-2023-078378.
Cruz Rivera, Samantha, Xiaoxuan Liu, An-Wen Chan, et al. 2020. “Guidelines for Clinical Trial Protocols for Interventions Involving Artificial Intelligence: The SPIRIT-AI Extension”. Nature Medicine 26: 1351–63. https://doi.org/10.1038/s41591-020-1037-7.
Liu, Xiaoxuan, Samantha Cruz Rivera, David Moher, et al. 2020. “Reporting Guidelines for Clinical Trial Reports for Interventions Involving Artificial Intelligence: The CONSORT-AI Extension”. Nature Medicine 26: 1364–74. https://doi.org/10.1038/s41591-020-1034-x.
Norgeot, Beau, Giorgio Quer, Brett K. Beaulieu-Jones, et al. 2020. “Minimum Information about Clinical Artificial Intelligence Modeling: The MI-CLAIM Checklist”. Nature Medicine 26: 1320–24. https://doi.org/10.1038/s41591-020-1041-y.
Vasey, Baptiste, Myura Nagendran, Bruce Campbell, et al. 2022. “Reporting Guideline for the Early-Stage Clinical Evaluation of Decision Support Systems Driven by Artificial Intelligence: DECIDE-AI”. Nature Medicine 28: 924–33. https://doi.org/10.1038/s41591-022-01772-9.