A ferramenta muda. Os critérios de qualidade permanecem.
Os dados estão no prontuário. A decisão continua difícil.
Proposta pedagógica: Caso Marcos
Marcos, 68 anos, apresenta sinais de possível deterioração. A enfermeira Lívia encontra sinais vitais em uma aba, balanço hídrico em outra, notas repetidas e alertas já conhecidos. A tendência respiratória não está visível.
O problema é falta de dado — ou dificuldade para transformar dado em situação clínica?
Enquete: onde o prontuário pesa?
Proposta pedagógica: escolha a alternativa mais próxima da sua experiência.
encontrar a informação;
registrar o mesmo dado mais de uma vez;
interpretar tendências;
responder a alertas;
entender quem usa o que foi registrado.
Complete: “O prontuário ajuda quando ; atrapalha quando .”
O que devemos conseguir fazer hoje?
Proposta pedagógica: objetivos de aprendizagem
desenhar um fluxo da coleta ao uso, com qualidade, acesso, versão, documentação e proteção;
selecionar a trilha prática coerente com a necessidade do projeto;
construir um artefato mínimo de coleta, organização/análise, visualização ou referências/arquivos;
testar se outra pessoa consegue compreender e usar o artefato.
Percurso em 240 minutos
Movimento
Tempo
Estratégia
Problema comum
20 min
autópsia de um fluxo frágil
Núcleo comum
100 min
ciclo, qualidade, proteção e demonstrações
Intervalo
10 min
pausa
Clínica em trilhas
70 min
construir artefato mínimo
Teste e crítica
30 min
uso por colega e revisão
Fechamento
10 min
plano de dados e conexão
A tese do encontro
Uma ferramenta não corrige dados sem finalidade, estrutura, significado e responsável.
O EHR será nosso primeiro laboratório; o projeto de doutorado será o campo de transferência.
A definição funcional já ultrapassa a ideia de “arquivo digital”.
Um ecossistema, não uma tela
Diagrama autoral, CC BY 4.0. Síntese baseada no modelo sociotécnico (Sittig e Singh 2010).
Duas maneiras de explicar o mesmo problema
Visão simplificada
Visão sociotécnica
EHR como software
EHR como sistema de trabalho
usuário executa
profissionais adaptam o trabalho
erro individual
interação de múltiplos elementos
implantação termina
uso exige monitoramento contínuo
funcionalidade = sucesso
valor e uso seguro = sucesso
Workaround: adaptação que revela tensão
Proposta pedagógica: Lívia anota valores em papel para comparar tendências e depois retorna ao EHR para registrar.
O atalho pode manter o trabalho possível, mas também criar duplicação, atraso ou perda de rastreabilidade.
Pergunta: o workaround é “resistência do usuário” ou diagnóstico do sistema?
Mapeie uma interação em 90 segundos
Proposta pedagógica: em trio, complete:
“Quando o sistema exige , a equipe adapta ; isso pode melhorar ___ e criar risco de ___.”
Documentar para quê?
Aplicações de documentação clínica registram, gerenciam e reportam atividades de cuidado.
Podem apoiar:
comunicação · responsabilidade profissional · workflow · gestão do cuidado · relatórios clínicos, administrativos e de pesquisa(Asmirajanti et al. 2019)
Um campo, muitos destinatários
Proposta pedagógica: escolha um campo registrado rotineiramente.
Pergunta
Resposta do grupo
Quem registra?
Quem reutiliza?
Em que momento?
Para qual decisão?
Que consequência é observada?
Do registro ao valor
Diagrama autoral, CC BY 4.0. Síntese didática, não modelo validado.
Estruturar ajuda — mas pode empobrecer
Campos estruturados favorecem padronização, recuperação, gráficos e relatórios.
Também podem:
deslocar a narrativa clínica;
induzir “normal” sem validação;
tornar o registro compatível com o sistema, mas não com a situação.
“Note bloat”: mais texto, menos legibilidade
Facilidade para copiar, colar e inserir resultados pode produzir notas volumosas e difíceis de revisar.
O problema não é apenas tamanho: é encontrar o que mudou, quem afirmou e o que exige ação.
Minuto de crítica documental
Proposta pedagógica: classifique um registro do seu contexto.
manter produz valor observável integrar útil, mas duplicado ou fragmentado investigar finalidade ou destinatário incerto remover? somente após avaliar risco e exigências
Carga documental não é apenas tempo
Ela pode envolver:
volume · redundância · fragmentação · interrupções · retrabalho · baixa reutilização · desalinhamento com o workflow
Uma síntese visual da carga
Diagrama autoral, CC BY 4.0. Não constitui equação validada.
Quatro conceitos que não são equivalentes
Conceito
Pergunta
quantidade
quanto foi registrado?
qualidade
é correto, completo e interpretável?
esforço
que trabalho foi necessário?
valor
que comunicação, decisão ou responsabilidade apoiou?
Mais documentação pode aumentar esforço sem aumentar valor.
Quando documentar compete com pensar
Interfaces com muitos passos, telas congestionadas e navegação difícil aumentam demanda mental.
Sobrecarga de informação ocorre quando a quantidade apresentada excede capacidade atencional, perceptual e cognitiva, favorecendo erros de processamento. (Padden 2019; Sweller 1988)
Burden é problema de desenho e organização
EHRs podem contribuir para frustração, trabalho prolongado e burnout; reduzir a contribuição exige agir sobre documentação, entrada de dados e tarefas desnecessárias. (Dymek et al. 2020)
Não extrapolaremos números de estudos médicos para a Enfermagem. O problema será analisado por mecanismos e contexto.
Classifique o problema, não a pessoa
Proposta pedagógica: o que explica melhor a dificuldade de Lívia?
Proposta pedagógica: o autor acreditava que nomes, códigos e versão estavam claros. O usuário-teste interpretou uma variável de outro modo e não encontrou quem poderia corrigir o registro.
O que precisa mudar no dado, na documentação ou na ferramenta?
Asmirajanti, Mira, Achir Yani S. Hamid, e Rr. Tutik Sri Hariyati. 2019. “Nursing Care Activities Based on Documentation”. BMC Nursing 18 (32): 1–5. https://doi.org/10.1186/s12912-019-0352-0.
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Padden, J. 2019. “Documentation Burden and Cognitive Burden: How Much Is Too Much Information?”CIN: Computers, Informatics, Nursing 37 (2): 60–61.
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