Dados, decisão e Informática em Saúde
Encontro 1 de 6 · Presencial · 4 horas
Primeiro o problema e a decisão. Depois, a ferramenta.
Proposta pedagógica — Caso Helena
Helena, 72 anos, está internada após uma cirurgia. Nas últimas horas, frequência respiratória e sonolência aumentaram. A pressão caiu discretamente. Há registros em telas diferentes; a diurese mais recente não foi lançada.
O sistema mostra: “risco moderado”.
A equipe deve aguardar, reavaliar ou escalar o cuidado?
Proposta pedagógica — Enquete diagnóstica
Qual resposta descreve melhor sua primeira reação?
Registre também: qual informação ausente poderia mudar sua escolha?
Proposta pedagógica — Objetivos de aprendizagem
Ao final, você deverá conseguir:
| Movimento | Tempo | Como trabalharemos |
|---|---|---|
| Problema | 20 min | caso, voto e dado faltante |
| Núcleo | 100 min | conceitos, comparação e aplicação guiada |
| Intervalo | 10 min | pausa |
| Laboratório | 70 min | mapa de oportunidade ligado ao doutorado |
| Crítica entre pares | 30 min | testar pressupostos e revisar |
| Fechamento | 10 min | registrar incerteza e próximo dado |
Uma tecnologia é uma hipótese de apoio — não o ponto de partida.
O problema, a decisão e o resultado desejado devem permanecer visíveis.
Informática em saúde investiga e projeta usos efetivos de dados, informação e conhecimento para:
Dado
Uma representação registrada.
Tecnologia
Um artefato ou meio técnico.
Sistema
Uma composição organizada de elementos.
Prática informacional
Como pessoas produzem, interpretam e usam informação.
Um campo preenchido é um dado registrado; não é ainda uma decisão.
O campo evoluiu de definições centradas no computador para uma combinação de:
ciência da enfermagem + ciência da informação + ciência da computação
com a finalidade de apoiar prática e cuidado. (Graves e Corcoran 1989)
Pergunta: onde o conhecimento de enfermagem aparece — ou desaparece — no sistema?
Um sistema de apoio pode recomendar.
O profissional decide se e como a recomendação será usada.
Um sistema automatizado pode implementar uma ação programada.
Isso desloca — mas não elimina — perguntas sobre conhecimento, limites e responsabilidade.
Proposta pedagógica — Pense · duplique · compartilhe
Lembre de uma tecnologia do seu serviço que:
Em dupla, formulem um exemplo em uma frase:
“A tecnologia muda _______, mas a decisão continua dependendo de _______.”
Caso Helena · 14h20
FR = 26 irpm
O que este registro permite afirmar — e o que ainda não permite?
No DIKW, dados podem ser organizados em agrupamentos significativos.
Mas todo dado já envolve escolhas:
Caso Helena · tendência
FR: 18 → 20 → 23 → 26
Estado: sonolência crescente
Contexto: pós-operatório
Lacuna: diurese recente ausente
Informação emerge quando os dados podem ser vistos e interpretados em agrupamentos significativos.
Conhecimento não é uma pilha maior de dados.
É a organização de informação e a identificação de relações entre fatos.
Nesse contexto, o conhecimento contribui para formular hipóteses e orientar os próximos passos, mas não permite afirmar como certo aquilo que os dados ainda não sustentam.
No modelo, sabedoria aparece no uso efetivo do conhecimento para responder às necessidades humanas de cuidado.
Ela envolve:
quem é a pessoa · qual é o contexto · que ação é possível · que consequência deve ser acompanhada
Diagrama autoral, CC BY 4.0. Síntese didática baseada nas fontes locais.
| Movimento | Caso Helena | Pergunta de controle |
|---|---|---|
| Dado | FR 26 | como foi medido? |
| Informação | tendência crescente | comparável a quê? |
| Conhecimento | relações sustentam hipóteses | que alternativa falta? |
| Decisão | reavaliar e/ou escalar | com que justificativa? |
| Ação | executar e comunicar | quem acompanha o efeito? |
Diagrama autoral, CC BY 4.0. Representação crítica e não linear.
Proposta pedagógica — votação por afirmação
Qual frase merece maior cautela?
A. Mais dados sempre produzem mais conhecimento.
B. Contexto transforma a interpretação.
C. Uma recomendação computacional é sabedoria.
D. A ação produz novos dados e exige reavaliação.
Escolha uma e escreva a objeção em 12 palavras.
Modelos teóricos ajudam a formular perguntas e organizar investigação.
Eles também selecionam o que será visto.
Que lente explica um sistema tecnicamente correto que fracassa no cotidiano?
| Lente | Torna visível | Pergunta útil |
|---|---|---|
| Schwirian | informação, tecnologia, usuários, objetivo | quem usa o quê e para qual fim? |
| Turley | cognição, informação, computação, enfermagem | que conhecimentos se encontram? |
| Goosen | dado → informação → conhecimento → decisão → ação → avaliação | onde o ciclo se rompe? |
Recriação didática autoral baseada no modelo de Sittig e Singh, CC BY 4.0. (Sittig e Singh 2010)
Essas abordagens não competem entre si. Cada uma responde a uma pergunta diferente sobre o uso da informação e da tecnologia no cuidado.
| Lente | Pergunta que ajuda a responder | Principal contribuição |
|---|---|---|
| DIKW | Como os dados ganham significado e passam a apoiar uma decisão? | Acompanha a transformação de dados em informação, conhecimento e ação |
| Modelos de enfermagem | Qual é a finalidade do cuidado e quais necessidades da pessoa devem orientar a prática? | Mantém a tecnologia vinculada aos objetivos clínicos, humanos e profissionais do cuidado |
| Abordagem sociotécnica | Como a tecnologia interage com profissionais, processos, organização e contexto? | Identifica as interdependências que favorecem ou dificultam o uso da tecnologia |
Proposta pedagógica — Caso Helena
Escolha uma dimensão sociotécnica e complete:
“O risco moderado pode falhar porque ___ interage com ___.”
Depois, formule uma pergunta de investigação.
Diagrama autoral, CC BY 4.0. Base conceitual: cognição distribuída (Hutchins 1995).
Carga cognitiva refere-se aos recursos de memória de trabalho usados em uma tarefa. (Sweller 1988)
Navegação excessiva, telas fragmentadas e excesso de informação podem aumentar carga e favorecer erros de processamento.
Pergunta: o que o profissional precisa manter mentalmente porque o sistema não mantém visível?
Interfaces fictícias e diagrama autoral, CC BY 4.0.
Quando a recomendação é seguida mesmo estando incorreta, o apoio pode introduzir novos erros. (Goddard et al. 2011)
Formular uma hipótese cedo não é o problema. Ela ajuda a selecionar perguntas e dados relevantes.
O risco aparece quando a primeira explicação deixa de ser testada e passa a determinar sozinha o que será procurado.
hipótese inicial → busca dirigida → sinais concordantes → aparência de confirmação
Proposta pedagógica — Caso Helena
O sistema não “prova” a hipótese: a seleção dos dados e a saída podem reforçar uma à outra.
Proposta pedagógica: três perguntas de reabertura
Uma classificação é entrada para revisão, não autorização para encerrar a busca.
Fadiga aparece quando a interrupção se repete, mas frequentemente não ajuda a decidir ou agir.
| Mecanismo | O que acontece no trabalho |
|---|---|
| frequência excessiva | a interrupção perde prioridade |
| baixa relevância | o alerta não corresponde ao paciente |
| momento inadequado | surge fora do ponto de decisão |
| ausência de ação possível | o profissional não consegue responder |
| Filtro | Pergunta de desenho |
|---|---|
| prioridade | isto merece interromper agora? |
| organização | alertas semelhantes podem ser agrupados? |
| contexto | para qual paciente, profissional e situação? |
| precisão | a regra exclui ocorrências irrelevantes? |
| ação possível | que resposta concreta está disponível? |
Para quem? Por que agora? O que pode ser feito?
Uma explicação pode ajudar o profissional a compreender por que aquele paciente foi sinalizado e incorporar a saída ao restante da avaliação.
Mas a explicação não substitui:
validação do modelo · qualidade dos dados · contexto clínico · julgamento profissional
Uma explicação útil deve favorecer revisão crítica — não apenas tornar a recomendação convincente.
Proposta pedagógica: leia a explicação em cinco camadas
A boa explicação abre espaço para compreender, questionar e decidir.
Proposta pedagógica — Pense · duplique · compartilhe
Se a tela mostrar “risco baixo”, qual comportamento é mais provável?
Em dupla: proponham uma mudança de interface e uma mudança de processo.
Proposta pedagógica
Transformar um problema real do doutorado ou da prática em um mapa rastreável de:
problema → público → dados → interpretação → decisão → ação → avaliação
e comparar um possível apoio digital com uma alternativa não tecnológica.
Proposta pedagógica
Escolham um processo conhecido por pelo menos duas pessoas do grupo.
Canvas autoral para impressão em A3, CC BY 4.0.
Proposta pedagógica — 70 minutos
| Etapa | Tempo | Produto |
|---|---|---|
| enquadrar problema e decisão | 10′ | frase focal |
| mapear dados, ausências e contexto | 15′ | campos 2–5 |
| construir conhecimento, decisão e ação | 15′ | campos 6–8 |
| auditar risco, tecnologia e incerteza | 10′ | campos 9–11 |
| definir avaliação | 5′ | campo 12 |
| troca entre grupos e revisão | 15′ | versão corrigida |
Proposta pedagógica
Proposta pedagógica — o mapa é forte quando…
Proposta pedagógica — 5–7 minutos por grupo
problema → evidência → interpretação → decisão → risco → pressuposto → avaliação
O porta-voz apresenta.
O guardião da incerteza encerra com: “Ainda não sabemos…”
Proposta pedagógica — grupo debatedor
| Observe | Registre em uma frase |
|---|---|
| rastreabilidade | a decisão decorre dos dados e da interpretação? |
| alternativa | que hipótese não foi considerada? |
| sociotécnico | que interação pode mudar o resultado? |
| risco | quem pode ser prejudicado ou invisibilizado? |
| avaliação | que evidência confirmará ou refutará a proposta? |
Devolutiva: um ponto forte · uma tensão · uma pergunta.
O risco calculado continua “moderado”. A equipe, porém, explicita a tendência, reconhece a diurese ausente, amplia hipóteses, reavalia a paciente e define quem acompanhará o efeito da ação.
O que melhorou: o dado, o sistema ou o processo de decisão?
Que dado do meu projeto precisa ser organizado antes de escolher uma ferramenta?
Proposta pedagógica — escreva e entregue
Proposta pedagógica — experimento de baixa escala
Escolha um conjunto de dados do projeto e registre:
Não escolha o software ainda. Primeiro torne o percurso visível.
Fundamentos e enfermagem
(Graves e Corcoran 1989; Ronquillo et al. 2021; Darvish et al. 2014)
Sistemas sociotécnicos
(Sittig e Singh 2010)
Cognição, carga e automação
(Hutchins 1995; Sweller 1988; Goddard et al. 2011; McSherry 1997)
Informática em Saúde Aplicada à Enfermagem